"O que fazer quando as grades se abrem?" Motivações empreendedoras e crenças individuais de egressos de penitenciárias

Larissa Cavalcante Albuquerque, Evangelina da Silva Sousa, Raimundo Eduardo Silveira Fontenele, Tereza Cristina Batista de Lima

Resumo


Objetivo: Investigar as motivações empreendedoras e as crenças individuais de egressos de penitenciárias cearenses quanto a abrir o próprio negócio, segundo a Teoria do Comportamento Planejado. Metodologia/Abordagem: Realizou-se uma investigação de abordagem qualitativa, com onze egressos do sistema prisional cearense. Os dados coletados, por meio de entrevista semiestruturada, foram analisados com auxílio do software Atlas Ti, utilizando a técnica de análise de conteúdo. Resultados: Os egressos manifestaram intenção em abrir seu próprio negócio, a partir de três motivações: por necessidade, por oportunidades e por realização pessoal. A intenção empreendedora dos entrevistados é influenciada pelos três tipos de crenças salientes: comportamentais, normativas e de controle comportamental percebido. Contribuições teóricas/Metodológicas: Promover e ampliar a discussão sobre o empreendedorismo após o período de privação de liberdade, utilizando a Teoria do Comportamento Planejado para identificar as crenças que antecedem à intenção empreendedora. Relevância/Originalidade: Apresentar achados que contrapõem à classificação dicotômica de motivação empreendedora descrita pelo Global Entrepreneurship Monitor. Ratificar a importância da influência dos referentes sociais na construção das crenças normativas, que foram percebidas como facilitadores à intenção comportamental, confundindo-se com as crenças de controle percebido. Contribuições sociais: Reconhecer a baixa empregabilidade de ex-detentos como um problema de gestão, pode ser o início do debate de estratégias que busquem minimizar seus impactos negativos. Este estudo é um convite à discussão de estratégias de esforço conjunto entre poder público, população e academia, com o objetivo de mitigar paradigmas e preconceitos que aprisionam os ex-infratores e a sociedade.


Palavras-chave


Motivação Empreendedora; Crenças Salientes; Penitenciária.

Referências


Agolla, J. E., Monametsi, G. L., & Phera, P. (2019). Antecedents of entrepreneurial intentions amongst business students in a tertiary institution. Asia Pacific Journal of Innovation and Entrepreneurship, 13(2), 138-152.

Ajzen, I. (1991). The theory of planned behavior. Organizational Behavior and Human Decision Processes, 50 (2), 179-211.

Alós, R., Esteban, F., Jódar, P., & Miguélez, F. (2015). Effects of prison work programmes on the employability of ex-prisoners. European Journal of Criminology, 12(1), 35-50.

Alstete, J. W. (2008). Aspects of entrepreneurial success. Journal of Small Business and Enterprise Development, 15(3), 584-594.

Angulo-Guerrero, M. J., Pérez-Moreno, S., & Abad-Guerrero, I. M. (2017). How economic freedom affects opportunity and necessity entrepreneurship in the OECD countries. Journal of Business Research, 73, 30-37.

Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70.

Barba-Sánchez, V., & Atienza-Sahuquillo, C. (2017). Entrepreneurial motivation and self-employment: evidence from expectancy theory. International Entrepreneurship and Management Journal, 13(4), 1097-1115.

Barros, I. C. F., Madruga, L. R. D. R. G., Ávila, L. V., & Beuron, T. A. (2014). Atitude empreendedora na percepção de empreendedores individuais e sociais. Revista de Contabilidade e Organizações, 8(21), 36-45.

Behling, G., Pereira, C. M. D., Mazzoleni, E. C., Baccin, S. S., & Lenzi, F. C. (2015). Microempreendedor individual catarinense: uma análise descritiva do perfil dos empreendedores individuais em Santa Catarina. NAVUS-Revista de Gestão e Tecnologia, 5(1), 65-78.

Block, J. H., & Wagner, M. (2010). Necessity and opportunity entrepreneurs in Germany: characteristics and earnings differentials. Schmalenbach Business Review, 62(2), 154-174.

Carsrud, A., & Brännback, M. (2011). Entrepreneurial motivations: what do we still need to know?. Journal of Small Business Management, 49(1), 9-26.

Carter, N. M., Gartner, W. B., Shaver, K. G., & Gatewood, E. J. (2003). The career reasons of nascent entrepreneurs. Journal of Business Venturing, 18(1), 13-39.

Cavazos-Arroyo, J.; Puente-Díaz, R., & Agarwal, N. (2017). An examination of certain antecedents of social entrepreneurial intentions among Mexico residents. Revista Brasileira de Gestão de Negócios, 19(64), 180-199.

Ceará. Secretaria de Justiça e Cidadania. (2017). Sejus entrega carrinhos de lanche para egressos do sistema penitenciário. Recuperado de http://www.ceara.gov.br/2017/

/25/sejus-entrega-carrinhos-de-lanche-para-egressos-do-sistema-penitenciario/>.

Cordeiro, A. M. (2019). A educação nas prisões. ID on line – Revista Multidisciplinar e de Psicologia, 13(48), 214-223.

Costelloe, A., & Langelid, T. (2011). Prison Education and Training in Europe–a review and commentary of existing literature, analysis and evaluation. Directorate General for Education and Culture, European Commission, EAC, 19, 106-130.

Ephrem, A. N., Namatovu, R., & Basalirwa, E. M. (2019). Perceived social norms, psychological capital and entrepreneurial intention among undergraduate students in Bukavu. Education+ Training, 61 (7/8), 963-983.

Ferreira, A. S. M.; Loiola, E., & Gondim, S. M. G. (2017). Preditores individuais e contextuais da intenção empreendedora entre universitários: revisão de literatura. Cadernos Ebape. BR, 15(2), 292-308.

Ferri, L., Ginesti, G., Spano, R., & Zampella, A. (2019). Exploring factors motivating entrepreneurial intentions: the case of Italian university students. International Journal of Training and Development, 23(3), 202-220.

Fossen, F. M., & Büttner, T. J. (2013). The returns to education for opportunity entrepreneurs, necessity entrepreneurs, and paid employees. Economics of Education Review, 37, 66-84.

Global Entrepreneurship Monitor (GEM). (2017). Empreendedorismo no Brasil 2016. Recuperado de https://www. gemconsortium. org/report.

Gray, D. E. (2012). Pesquisa no mundo real. 2. ed. Porto Alegre: Penso.

Grosholz, J. M., Kabongo, J. D., Morris, M. H., & Wichern, A. (2020). Entrepreneurship education in the transformation of incarcerated individuals: A Review of the literature and future research directions, International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology, 64(15),1551-1570.

Holzer, H. J., Raphael, S., & Stoll, M. A. (2003). Employment barriers facing ex-offenders. Paper presented at the Urban Institute Reentry Roundtable, Employment Dimensions of Re-Entry: Understanding the Nexus Between Prisoner Reentry and Work, New York.

Hoppe, A., Barcellos, M. D., Vieira, L. M., & Matos, C. A. (2012). Comportamento do consumidor de produtos orgânicos: uma aplicação da teoria do comportamento planejado. Revista de Administração e Contabilidade da UNISINOS - Base, 9(2), 174-188.

Ireland, T. D. (2012). Educação em prisões no Brasil: direito, contradições e desafios. Em Aberto, 24(86), 19-39.

Kautonen, T., & Palmroos, J. (2010). The impact of a necessity-based start-up on subsequent entrepreneurial satisfaction. International Entrepreneurship and Management Journal, 6(3), 285-300.

Keena, L., & Simmons, C. (2015). Rethink, reform, reenter: an entrepreneurial approach to prison programming. International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology, 59(8), 837-854.

Liñán, F., & Chen, Y. W. (2009). Development and Cross-Cultural application of a specific instrument to measure entrepreneurial intentions. Entrepreneurship Theory and Practice, 33(3), 593-617.

Martins, F. S.; Santos, E. B. A., & Silveira, A. (2018). Intenção empreendedora: categorização, classificação de constructos e proposição de modelo. Brazilian Business Review, 16(1), 46-62.

Mcclelland, D. (1972). A sociedade competitiva: Realização e progresso social. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura.

Moraes, C.; Simões, D., & Gonçalves, E. (2017). Educação no cárcere: uma análise dos processos educativos no Centro de Reeducação Feminina de Ananindeua/Pará. Revista Pedagogia Social UFF, 2(2) 1-20.

Minola, T., Criaco, G., & Obschonka, M. (2016). Age, culture, and self-employment motivation. Small Business Economics, 46(2), 187-213.

Pastore, J. (2011). Trabalho para ex-infratores. São Paulo: Saraiva.

Patzelt, H.; Williams, T. A., & Shepherd, D. A. (2014). Overcoming the walls that constrain us: the role of entrepreneurship education programs in prison. Academy of Management Learning & Education, 13(4), 587-620.

Paul, J.; Hermel, P., & Srivatava, A. (2017). Entrepreneurial intentions—theory and evidence from Asia, America, and Europe. Journal of International Entrepreneurship, 15(3), 324-351.

Rodermund, E. S. (2004). Pathways to successful entrepreneurship: parenting, personality, early entrepreneurial competence and interests. Journal of Vocational Behavior, 65(3), 498– 518.

Sarasvathy, S. D. (2004). Constructing corridors to economic primitives. Entrepreneurial opportunities as demand-side artifacts. In J. E. Butler (Ed.), Opportunity Identification and Entrepreneurial Behavior (pp. 291–312). Charlotte: Information Age Publishing Inc.

Schlaegel, C., & Koenig, M. (2014). Determinants of entrepreneurial intent: a meta–analytic test and integration of competing models. Entrepreneurship, Theory and Practice, 38(2), 291-332.

Silva, C. L. O., & Saraiva, L. A. S. (2013). Lugares, discursos e subjetividades nas organizações: o caso de uma prisão. Cadernos EbapeBR, 11(3), 383-401.

Souza, E. M.; Costa, A. S. M., & Lopes, B. C. (2019). Ressocialização, trabalho e resistência: mulheres encarceradas e a produção do sujeito delinquente. Cadernos Ebape Br, 17(2), 362-374.

Thiry-Cherques, H. R. (2009). Saturação em pesquisa qualitativa: estimativa empírica de dimensionamento. Revista PMKT, 3(2), 20-27.

Trochim, W. M. K. (1989). Outcome pattern matching and program theory. Evolution and Program Planning. v. 12(4), pp. 355-66.

Vale, G. M. V.; Corrêa, V. S.; & Reis, R. F. (2014). Motivações para o empreendedorismo: necessidade versus oportunidade? Revista de Administração Contemporânea,18(3), 311-327.

Van der Zwan, P., Thurik, R., Verheul, I. Hessels, J. (2016). Factors influencing the entrepreneurial engagement of opportunity and necessity entrepreneurs. Eurasian Business Review, 6, 273–295.

Van Gelderen, M. (2010). Autonomy as the guiding aim of entrepreneurship education. Education+ Training, 52(8/9), 710-721.

Vergara, S. C. (2003). Projetos e relatórios de pesquisa em administração (4. ed.). São Paulo: Atlas.

Wilson, D. B., Gallagher, C. A., & MacKenzie, D. L. (2000). A meta-analysis of corrections-based education, vocation, and work programs for adult offenders. Journal of research in crime and delinquency, 37(4), 347-368.

Yitshaki, R., & Kropp, F. (2016). Motivations and opportunity recognition of social entrepreneurs. Journal of Small Business Management, 54(2), 546-565.




DOI: http://dx.doi.org/10.14211/regepe.e1938

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2021 Revista de Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Sem derivações 4.0 Internacional.

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença 
Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional

Rev. Empreendedorismo Gest. Pequenas Empres., São Paulo, SP, Brasil. e-ISSN: 2316-2058    

Prefixo do DOI: 10.14211  Classificação Qualis 2016: B1